Graças ao meu espírito engenhoso (ou talvez não...) estou a escrever este primeiro post de Setembro a comer um bela torrada. Porquê espírito engenhoso? - pergunta o(a) leitor(a) mais atento(a). Pois, porque estou a comer uma torrada sem ter uma torradeira!!! Já andava com ideias de experimentar isto (já o tinha feito com um daqueles grelhadores/frigideira), mas tinha medo que não funcionasse tão bem. Funcionou! Fiz uma torrada numa frigideira! Só para ficarem com mais uma nota na vossa lista de truques de sobrevivência...
Enfim, a torrada já lá vai! O dia hoje foi interessante. Dado que a dona Ana foi visitar a família a Portugal (certamente quererá explicar a peculiar situação quando regressar), vou aproveitar estes dias para apreciar a cidade sozinha, só pela minha perspectiva. Pois, já sei, pareço uma avozinha e não uma estudante de ERASMUS (devia estar em tudo quanto é festa, não é?), mas vou ter bastante tempo para a farra, e a verdade é que também quero apreciar a cidade como turista, antes de começar a achar isto tudo banal e rotineiro. Posto isto, volto ao dia de hoje. Como dizia, foi bastante interessante, sem no entanto ter acontecido nada de especial. De manhão (meio dia e tal...) obriguei-me a levantar e aproveitar o bom dia que se estava a fazer lá fora (obrigar-me a levantar tem sempre as suas consequências, a de hoje foi pôr a roupa a lavar sem detregente, não sem antes ter escolhido o nº errado da máquina na maquineta dos pagamentos....). Fui andando, com o meu iPodezinho como companheiro ("I know a guy who's tough but sweet..."), com a ideia de comprar umas coisinhas que precisava ("He's so fine, he can't be beat..."), mas com o objectivo principal de reencontrar uma loja de viagens que adorei ("so sweet, you make my mouth water! I want candy!!"). Já há muito havia largado o iPod e a música animada quando, já a perder a esperança de encontrar a tal loja, encontrei uma outra loja com postais engraçados (a loja em si não era tão gira). Lá fui pagar mais um postal, para satisfazer a minha necessidade de comprar coisas (eu colecciono postais...), e quando pedi um selo para Portugal deu-se a primeira revelação do dia. Claro que toda a gente reconhece Portugal aqui na Holanda... afinal somos membros da UE, mas o simpático senhor que me atendeu (alto, cabelo e bigode já brancos, com aquela pele que sabemos que é branca, mas que devido à época está meio avermelhada) não só usou um tom de total reconhecimento do nosso país - "ah, Portssugol!" - como me perguntou se nós diziamos Porto ou Oporto! Lá tentei explicar a situação o melhor que pude, já achar que aquilo era bom demais (devo estar mal habituada, mas nunca espero que reconheçam o meu país... principalmente depois de um italiano me perguntar se o português era um dialecto do espanhol...), quando o senhor dá continuação à conversa, explicando que a sua confusão vinha do facto de o vinho ser só Porto, ao contrário do nome da cidade no mapa, que era Oporto... enfim, foi giro!
Mas as revelações não se ficaram por aqui! Ainda sem encontrar a loja (sou mesmo desorientada!), dei com uma livraria (finalmente!). Como é óbvio fui ver o que é que se anda a ler por aqui. Fiquei surpreendida (se bem que ao mesmo tempo faz sentido) por constatar que o escrior turco Orhan Pamuk está em alta considareção no comércio livreiro cá do sítio - eram livros dele por todo o lado!!! Mas a surpresa maior - PREPAREM-SE! - foi descobrir que a livraria tinha uma parte de literatura portuguesa! Não, não eram autores portugueses traduzidos - esses também lá estavam - eram edições portuguesas! Está bem que era uma coisa muito modesta (eram por volta de 15, 20 livros), está bem que a maior parte era do Paulo Coelho (...blerg!), mas... em português! Eu não quero estar a meter o pé na poça (o Joãozinho estará aí para me corrigir, se necessário), mas arrisco a dizer que na fanc não há uma única edição de um livro em neerlandês! Bom, depois disto, já não me chocou encontrar uma secção de guias turísticos sobre Portugal na tão procurada loja, que acabei por reencontrar graças à referência do McDonald's (suspiro). Tal como tinha previsto pela espreitadela que tinha dado na primeira vez, é uma loja mesmo como eu gosto, cheia de pormenores e de inutilidades deliciosas (caixinhas com autocolantes de viagem, para colar naquelas malas que já ninguém tem) e carregada de livros, mapas e afins que aguçam a vontade de viajar a qualquer um. Cheira-me que me vou perder numa ou outra coisa por ali...
Bem! Isto, para variar, está extenso, pelo que me vou ficar por aqui... é um corte um bocado abrupto, mas acho que ninguém se vai importar! Hehe...